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Olhar Voador: conheça a Costa dos Coqueiros com a parceria entre a Unidas e o jornalista Tales Azzi:

Um dos trechos mais espetaculares do imenso litoral da Bahia pode ser conhecido facilmente em uma única semana de férias. Trata-se da chamada Costa dos Coqueiros, que vai da capital Salvador até a cinematográfica vila de Mangue Seco, 250 km ao norte, já na divisa com Sergipe. Esse trecho é simplesmente perfeito do ponto de vista da locomoção e da praticidade, muito fácil de ser percorrido com um carro alugado e algum espírito de aventura correndo nas veias.

O acesso para a Costa dos Coqueiros é feito pelo bom asfalto da BA-099, estrada conhecida como Linha Verde, que segue por cerca de 200 km até a divisa com Sergipe. A rodovia corre sempre próxima ao litoral, entre 2km e 12 km de distância da beira-mar. A distância entre uma vila de praia e outra também é pequena e você não perde muito tempo para ir de um lugar a outro.

É claro que não será preciso parar em todas as praias da Costa dos Coqueiros. É praia que não acaba mais. Isso tiraria o maior prazer desse tipo de viagem, que é justamente curtir as vilas litorâneas da Bahia num clima de preguiça, sem pressa. Além disso, as praias têm muito em comum: mar azul cintilante (especialmente no verão), a areia fofa e uma fileira de coqueiros a perder de vista.  A dica, portanto, é escolher bem onde parar. Há praias de vários estilos, como as badaladas Praia do Forte e Imbassaí, até algumas praias tão deslumbrantes quanto ainda pouco conhecidas, como Massarandupió. 

Litoral da Bahia - Pontos turísticos da Costa dos Coqueiros - Praia do Forte

Praia do Forte 

A Praia do Forte é uma das vilas de praia mais badaladas  da Bahia. E não por acaso, pois lá não faltam boas pousadas, restaurantes deliciosos e um invejável sentimento de preservação ambiental. A Praia do Forte cresceu sob a bandeira da ecologia, seguindo regras impostas pelo “dono” da praia, o empresário Klaus Peters, paulista descendente de alemães que comprou todas aquelas terras na década de 1970 e cuidou para que o turismo fosse implantado de forma coerente.

Uma dessas regras proíbe que qualquer construção ultrapasse a altura dos coqueiros. Outra proíbe letreiros luminosos no comércio e também de frente a praia, para não afugentar as tartarugas marinhas que colocam seus ovos na areia – o lugar é o maior berçário desses animais na costa brasileira. Aliás, é lá que fica a sede do projeto Tamar, uma das principais atrações de quem visita a Praia do Forte.

A conseqüência de todos esses cuidados é um lugar charmoso e muito especial, com uma incrível harmonia entre a comunidade local e os turistas. O charme da vila está concentrado na avenida Antônio Carlos Magalhães, que de avenida mesmo não tem nada, é mais um o calçadão fechado a carros, onde estão os restaurantes e lojas.

Com tudo isso, nem precisava, mas a Praia do Forte ainda é uma das mais belas da Bahia. Tem 12 km de extensão e uma grande barreira de arrecifes que, na maré baixa, represa a água formando piscinas naturais. A um quilômetro do centro da vila estão as piscinas do Papa Gente, com até seis metros de profundidade. 

A Praia do Forte ganhou esse nome por causa de uma construção histórica, o Castelo de Garcia D’Avila, a primeira grande obra portuguesa em solo brasileiro, erguido em 1551. Mas não era um forte, era a casa do próprio D’Avila, o primeiro grande fazendeiro do Brasil. Foi dele a brilhante idéia de trazer os coqueiros da Ásia para o País, uma árvore que se adaptou tão bem ao clima tropical que acabou virando o símbolo do Nordeste. As ruínas do castelo de Garcia D’avila estão muito bem conservadas e abertas à visitação.

Litoral da Bahia - Pontos turísticos da Costa dos Coqueiros - Imbassaí

Imbassaí

Já a vila de Imbassaí, 10 km adiante da Praia do Forte, não tem a mesma badalação. Mas cresceu bastante nos últimos anos. Ganhou condomínios bacanas e um enorme resort All Inclusive, o Grand Palladium Imbassaí.

A praia de Imbassaí consegue a proeza de ser ainda mais bonita do que a Praia do Forte. O cenário é mais ou menos o seguinte: de um lado, um rio de águas mansas e limpas, cor de coca-cola, do outro, o mar de ondas fortes. Em Imbassaí você pode tomar banho de mar, dar uns vinte passos, e mergulhar no rio de água fresca. É por isso que ninguém reclama da falta de uma vila transada para passear à noite. E pode anotar o nome dessa praia baiana, porque Imbassaí ainda vai dar o que falar no futuro.

Massarandupió e Barra do Itariri

Quanto mais ao norte do litoral baiano mais as praias vão ficando selvagens. Muitos povoados ainda estão engatinhando para o turismo. As poucas pousadas têm quartos bem simples e as estradas de acesso são quase sempre de terra. Para compensar, surgem praias cada vez mais belas, quase exclusivas. É assim em Massarandupió, um vilarejo que lembra uma cidade de faroeste. Tem uma reta só com casinhas dos dois lados e uma gente curiosa acompanhando com os olhos todos os carros que passam. Apesar do nome, a praia de Massarandupió é uma das mais lindas da Costa dos Coqueiros. Tanto que foi tombada como APP – Área de Proteção Permanente – o que significa que a preservação está garantida.

Massarandupió é uma praia semi-deserta, com apenas meia dúzia de barracas de palha servindo bebidas e petiscos. Em uma delas, a barraca do Bideco, é possí¬vel comer uma porção de lagostas a preço de batatinha-frita. O canto direito da praia é reservada para quem não tem pudores tolos de tirar a roupa e ficar andando nu em público. Massarandupió foi a primeira praia de nudismo oficialmente decretada na Bahia, em 1999. Neste trecho de naturismo só entra sem roupa.

Segundo informações do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, o nome Massarandupió se refere a uma tribo indígena que habitava na região onde hoje fica o povoado. Mas não é o que contam os moradores mais antigos, como  “seu” Pitu, de 83 anos. “Esse nome foi por causa de dois pés de Massaranduba, uma árvore que dá uma fruta pequena e vermelha, que tinha aqui. Uma das árvores dava um fruto bem doce enquanto a outra dava fruta azeda que só. Num desmatamento cortaram a árvore que dava fruta boa e sobrou apenas o pé de Massaranduba pior. Foi daí que veio o nome”, jura.

Outra boa surpresa do litoral norte baiano é a Barra do Itariri, no município de Conde. O vilarejo é pequeno e sem graça, mas a praia é um show. O trecho mais bonito fica na foz do Rio Itariri, que faz uma curva antes de desaguar manso no mar.

Litoral da Bahia - Pontos turísticos da Costa dos Coqueiros - Barra do Itariri

Mangue Seco

Ao viajar de carro pelo litoral da Bahia, o lugar que acaba de ficar para trás deixa sempre a sensação de ter sido o melhor da viagem. Mas a dúvida logo acaba quando se conhece Mangue Seco, já na divisa com Sergipe, o ponto alto da Costa dos Coqueiros. Mangue Seco fica escondida entre a foz do Rio Real e um inesquecível conjunto de dunas. O lugar saiu do esquecimento quando a TV Globo resolveu transformar em novela o romance Tieta da Agreste, escrito por Jorge Amado em 1977, e foi até lá gravar algumas cenas.

A novela, de 1990, fez chover turistas de um dia para o outro na pacata Mangue Seco. Mas a vila manteve o astral original. A velha e boa dificuldade de acesso até lá, feita apenas de barco a partir de Pontal (R$ 130 a travessia em lancha ou R$ 5 no catamarã), evitou a invasão do turismo e o inchaço do povoado.

Litoral da Bahia - Pontos turísticos da Costa dos Coqueiros - Praia Mangue Seco

O que aconteceu foi justamente o contrário, Mangue Seco até diminuiu de tamanho nos últimos anos por conta de caprichos da natureza. As águas do Rio Real já subiram tanto que cobriram duas ruas, enquanto as dunas espremem o vilarejo do outro lado e engoliram uma fileira de casas. Por causa disso, Mangue Seco parece ter parado no tempo. É difícil acreditar que ainda exista um lugar assim no litoral do Nordeste. A vila tem apenas cerca de 300 habitantes, as ruas são de areia e as antigas casas de alpendre ainda resistem ao tempo.

O único movimento é dos bugues, que fazem passeios com os turistas pelas dunas e o leva-e-traz para a praia, que fica a dois quilômetros do povoado. Não deixe de fazer esse passeio, que é a melhor forma de conhecer as paisagens divulgadas pela TV e pelo cinema. O maior problema, para quem gosta de agito, é que não há muito o que fazer à noite. Não há barzinho com música  e nem um ponto de encontro para o pessoal – o que faz com que a maioria dos visitantes fique só dois ou três dias por lá. De certa forma, isso também ajuda a manter o clima de paz. É melhor assim.

E você pode alugar um carro para fazer essa super viagem com a gente. Escolha o que mais combina com você e com o seu bolso e aproveite.